Pure Bug Beauty
May I be excused? My brain is full.Arquivo para Abril, 2009
Amarok 2: only time will tell
Recentemente fiz upgrade para o Ubuntu Jaunty Jackalope. O processo, como sempre, foi uma brisa. Depois de reiniciar, fui presenteado com um tempo de boot ligeiramente mais rápido, uma tela de logon mais moderninha e, a princípio, no more issues com minha placa de vídeo.
Saí testando meus aplicativos pré-instalados e vi que todos continuam funcionando normalmente, inclusive alguns não explicitamente suportados pela nova versão. A única surpresa desagradável foi justamente o programa que mais elogio desde que joguei o sistema operacional do Severino Portões na lata do lixo: o Amarok. A versão 2 do player de áudio mais perfeito da história, apesar de mais bonita, está lenta, com bugs vergonhosos e sérios problemas de interface. Você pode me lembrar de todas as features, mudanças conceituais e inovações que estão sendo agregadas nesta nova versão, mas IMHO não se deve liberar um pacote sem que ele tenha o mínimo de usabilidade para o usuário final. O codinome da versão 2.0.2, “Only Time Will Tell”, me parece uma piada muito da sem graça.
Então se você, assim como eu, atualizar pro Jaunty mas quiser usar o bom e velho amarokzinho 1.4 “estado-da-arte” enquanto o 2.x não toma forma, basta removê-lo e utilizar um ppa que tá rolando por aí.
Yoñlu
[clique no play antes de ler]
Foi somente na AMG New Release Newsletter de hoje que eu tomei conhecimento da música de Yoñlu (apesar da capa, é com ñ mesmo). O disco era exatamente o último lançamento da relação – que eu poderia muito bem não ter lido até o fim – e foi a bonita capa e o curioso título que me chamou a atenção. A história de Yoñlu não é exatamente nova, mas se assim como eu, você nunca tinha ouvido falar nele, a informação de que nasceu em Porto Alegre e se chama Vinícius Gageiro Marques já lhe será surpreendente. O disco, que foi classificado como bossa nova, pop/rock, alternativo, indie e lo-fi pelo mesmo All Music Guide, reúne surpreendentemente ainda mais que isso. O conjunto de canções é resultado de influências que vão do folk ao eletrônico, contendo trechos de piano clássico, beat box, tropicália, pós-rock, uma miríade de samplers, vocais ao estilo Tom Waits, experimentalismos a la Animal Collective e citações aos Beatles. Toda essa mistureba junta poderia ter gerado um produto intragável, mas não, trata-se de um disco bastante coeso. Uma síntese inocente e por outro lado bastante madura de todas essas influências, dando forma a um som intimista, com alma. Quer mais? Pois saiba que ele fez tudo isso sozinho, no próprio quarto, quando tinha menos de 17 anos.
A parte trágica dessa história é que Vinícius nunca chegou aos 17. Cometeu suicídio por inalação de monóxido de carbono, em julho de 2006, no banheiro do apartamento onde vivia com os pais. Deixou a eles uma longa carta onde os absolvia de qualquer culpa e pedia desculpas por tê-lo feito do modo como fez. Deixou também um CD-R com várias músicas até então desconhecidas para os familiares. Igualmente incógnito era o reconhecimento que o talento do filho tinha alcançado em vários sites especializados ao redor do mundo.
O disco foi lançado hoje pela gravadora Luaka Bop e pode ser adquirido aqui ou também pelo site do selo goiano Allegro Discos (por sinal, muito bom o texto escrito por Juarez Fonseca). Fico pensando nos bons discos que este garoto ainda poderia produzir com a capacidade que tinha e toda uma vida pela frente…
updt: quem tá curioso pra ouvir mais antes de comprar o disco, pode baixar 25 músicas nesse link.
¿Dónde está mi paraguas?
Foi visto pela última vez na sexta passada, e hoje, passadas mais de 48h regulamentares, posso dá-lo como desaparecido. Quem encontrar, favor devolver na seção de achados & perdidos que será bem recompensado. Porque a chuva agora arroxou e é capaz de amanhã eu me molhar de novo.
coincidenciazinha
Opa. Que tal? Março também existiu. Eu comecei a escrever blog de novo pensando em, ao menos, não passar mês em branco, mas a vida é tão cheia de som e de fúria que tais querências vão se escorando num canto qualquer da mente e por lá ficam, aguardando uma noite como hoje, em que chove pouco, mas o suficiente pra me deixar entediado e querendo adiantar a fita uns cinco meses pra frente. Não que Março tenha sido difícil, não. A moça diz que é o mês mas longo, mas como é o mês que eu nasci, eu não vejo dessa forma. Pra mim, o mais longo é Agosto. Mas o fato é que eu sempre quis ter 29 anos. Porque eu vim num dia 29 — um narcisismo besta, alguns podem dizer — e esse meio virou meu número cabalístico. Aquela música do Legião, que aos vinte e nove com o retorno de saturno, decidi começar a viver já foi uma das canções que eu cantava sozinho, junto com o som, numa fase da adolescência. Faz uns seis anos isso e eu não me recordo agora se foi num desses testes de Internet ou se em uma revista fuleira de astrologia que fui informado sobre 2009 ser um dos anos mais marcantes da minha vida. Junto com 1998, que não foi lá tanto, e 2004 que foi marromenos. E coincidentemente, né?, o prognóstico acabou se revelando acertado e justo no ano da idade tão aguardada. Por essas e principalmente outras, 2009 será de festa e celebração. Castigo é essa espera que já tem data marcada pra ser vencida, mas é teimosa pra carilho e só vai entregar os pontos quando setembro chegar.

