Pure Bug Beauty

May I be excused? My brain is full.

Arquivo para Março, 2006

Lista das coisas que posso fazer

limpar a sujeira dos outros — desenhar — ajudar, mesmo não tendo vontade — dançar como se ninguém estivesse vendo — beber, antes de — colorir — relevar — abrir mão de — me espreguiçar durante um dia inteiro — bolo de caixinha — falar uma coisa e pensar outra — e ainda assim, sem nada existir de verdade — enumerar coisas — me superar — continuar de onde parei — admitir — cortar as unhas redondinhas — admirar o presente — achar que posso dormir — sentar — deitar — fingir de morto — conseguir — não conseguir — não dar a mínima — dar a máxima — não dar porra nenhuma — imaginar nonsense — contagiar — tomar sorvete de noite — ser desinteressante to the bones — arrumar minha cama — escrever — ficar contemplativo — sentido — falta — raiva — mas de amor de corpo eu também me reservo ao direito de, ó: =x

ouvindo In My Life, doçura espessa, por John R. Cash

Uma aprendizagem

“Até que Lóri mais profundamente adormeceu e a escuridão foi toda dela.
Depois de pouco tempo despertaram e tanto Ulisses quanto Lóri procuraram com a mão a mão do outro.

- Meu amor, disse ela.
- Sim?
Mas ela não respondeu. Então ele disse:
Porta aberta a uma vida nova. É a porta, Lóri. E sabemos que só a morte de um de nós há de nos separar. Não, Lóri, não vai ser uma vida fácil. Mas é uma vida nova.
(Tudo me parece um sonho. Mas não é, disse ele, a realidade é que é inacreditável.)
Ulisses, o sábio Ulisses, perdera a sua tranqüilidade ao encontrar pela primeira vez na vida o amor. Sua voz era outra, perdera o tom de professor, sua voz agora era a de um homem apenas. Ele quisera ensinar a Lóri através de fórmulas? Não, pois não era homem de fórmulas, agora que nenhuma fórmula servia: ele estava perdido num mar de alegria e de ameaça de dor. Lóri pôde enfim falar com ele de igual para igual. Porque enfim ele se dava conta de que não sabia de nada e o peso prendia a sua voz. Mas ele queria a vida nova perigosa.
- Eu sempre tive que lutar contra a minha tendência a ser serva de um homem, disse Lóri, tanto eu admirava o homem em contraste com a mulher. No homem eu sinto a coragem de se estar vivo. Enquanto eu, mulher, sou um pouco mais requintada e por isso mesmo mais fraca – você é primitivo e direto.
- Lóri, você é agora uma supermulher no sentido em que eu sou um super-homem, apenas porque nós temos coragem de atravessar a porta aberta. Dependerá de nós chegarmos dificultosamente a ser o que realmente somos. Nós, como todas as pessoas, somos deuses em potencial. Não falo de deuses no sentido divino. Em primeiro lugar devemos seguir a Natureza, não esquecendo os momentos baixos, pois que a Natureza é cíclica, é ritmo, é como um coração pulsando. Existir é tão completamente fora do comum que se a consciência de existir demorasse mais de alguns segundos, nós enlouqueceríamos. A solução para esse absurdo que se chama “eu existo”, a solução é amar um outro ser que, este, nós compreendemos que exista.
- Meu amor, disse ela sorrindo, você me seduziu diabolicamente. Sem tristeza nem arrependimento, eu sinto como se tivesse enfim mordido a polpa do fruto que eu pensava ser proibido. Você me transformou na mulher que sou. Você me seduziu, sorriu ela. Mas não há sordidez em mim. Sou pura como uma mulher na cama com o seu homem. Mulher nunca é pornográfica. Eu não saberia ser, apesar de nunca ter estado tão intimamente com ninguém. Você entende?

- Entendi e sei disso. Mas não gosto de falar tudo. Saiba também calar-se para não se perder em palavras.
- Não. Eu me calei a vida toda. Mas está bem, falarei menos. O que eu queria saber é se sou a seus olhos a infeliz heroína que se despe. Estou nua de corpo e alma, mas quero a escuridão que me agasalha e me cobre, não, não acenda a luz.
- Sim.
Faltara antes alguma humildade em Ulisses. Mas no amor, por deslumbramento, ele se tornara humilde e sereno.
- Eu te amo, Lóri, e não tenho muito tempo para você porque trabalho muito. Foi sempre com muito esforço que eu separava tempo para tomar um uísque com você. Meu trabalho vai aumentar, você terá que ser paciente, vai aumentar porque preciso afinal escrever o meu ensaio. E escreverei sem estilo, disse como se falasse sozinho. Escrever sem estilo é o máximo que, quem escreve, chega a desejar. Será, Lóri, como a tua frase que sei de cor: será o mundo com sua impersonalidade soberba versus minha individualidade como pessoa mas seremos um só. Você terá que ficar sozinha muitas vezes.
- Não me incomodo. Sou hoje outra mulher. E um minuto de segurança de teu amor renderá comigo semanas, sou outra mulher. E mesmo quero ficar mais ocupada: o ensino está me apaixonando, quero vestir, e ensinar, e amar meus alunos, e prepará-los para um modo como eu nunca fui preparada.
- Você é a mesma de sempre. Só que desabrochou em rosa vermelho-sangue. Joguei fora as duas dúzias de rosas porque tenho você, rosa grande e de pétalas úmidas e espessas. Lóri, eu vou estar tão ocupado que talvez o jeito seja casarmos para estarmos juntos. – Talvez seja o melhor. Talvez o melhor seja –”

________________________
: a hora certa acaba[rá] chegando.

Aniversário v2.6

Saldo do dia:
- Um punhado de scraps;
- Alguns telefonemas;
- Uns poucos e-mails;
- Festinha no trabalho;
- Alguns Presentes;
- Vales-Desconto daqui e dali;
- Um eclipse solar;
- Um brasileiro no espaço;*

Para uma quarta-feira, até que tá bom, né não?

ouvindo Neil Young – Heart Of Gold

* no horário local ainda será hoje, ora pois.

Pra quem, como eu, não suporta mais Orkut, Gazzag, UolK, SMS.AC, Multiply, MySpace e toda essa porcariada de social networks

http://isolatr.com/
Hoping you find where other people aren’t.

Don’t miss the FAQ.

ouvindo Morphine – Thursday

Firewall, o filme

Durante uma invasão, o geek Indiana Ford resolve assumir o papel de herói. Vidra o olho no monitor e começa a espancar o teclado. Enquanto vai explicando as maravilhosas ações que está tomando, faz aquela cara marota de “rá, quero ver agora”. Corta pra tela. Ele está criando uma access list.

o.O

ouvindo The N’Betweens – Security

Caixa de pandora

Que last.fm, que nada. O Pandora é novo paraíso do meu headphone. O layout é simples, bonito e funcional e o site cumpre o que promete: você diz o nome de uma banda/artista ou música e ele cria uma rádio a partir do genoma musical (ótimo isso, não?) ali encontrado. E a coisa não é bagunçada não. Se você quiser saber por que eles estão tocando determinada música, uma explicação plausível é dada. Por exemplo, vão te dizer que based on what you’ve told us so far, we’re playing this track because it features mellow rock instrumentation, major key tonality and acoustic rhythm guitars. Na maioria das vezes, dá certo. Se não der, você pode dizer que não gostou e que não era isso que a sua rádio deveria tocar. Na mesma hora a música pára e eles se desculpam dizendo que vão tentar outra coisa e aquela música nunca mais será executada.

Fiz uma rádio Club 8, e essas foram as primeiras 5 músicas que tocaram:
- I Write Summer Songs For No Reason by Acid House Kings (começaram bem, viu?)
- Ask Me No Questions by Ken Stringfellow (o cara do Posies \o/ adoro esse sobrenome)
- I Can Feel It by Sloan (orgasmos musicais quando eles adivinharam essa)
- The Wrong Girl by Belle & Sebastian (vá, essa não foi tão difícil de adivinhar)
- Delicate Hands by The Long Winters (delícia, ótima sugestão)

Agora o melhor mesmo são as mensagens de erro, as mais educadas que eu já vi. Dá até vontade de alisar o monitor e dizer “ow, fica assim não, você não fez por mal”.

ouvindo The Clarks – Blue

Entradas antigas »