Pure Bug Beauty

May I be excused? My brain is full.

Arquivo para Março, 2005

(des)Aniversário IV

Voltei no tempo pra dizer o quanto foi bom, sim, aniversário em ano ímpar e idade ímpar: coisas que não costumam falhar.
Pensei que seria desgostoso completar os vinticinco de sonho de sangue e de américa do soul, por ser o quarto de século tão pesado, mas bah, nem pesa, e vem cá, a gente só sabe que está velho quando ao invés de bolo, nos fazem uma torta salgada. Fizeram, mas tinha doce em forminha de 4 sabores, então balanceou. E as músicas que eu gosto ainda não estão passando em programas de flashback – e, pra evitar isso, eu simplesmente não ouço rádio. O povo do trabalho me deu o iPod que eu passei a semana pedindo… de papel, que eles são gaiatos, mas eu até guardei o papel pra ser um “chama”.
Minhas pessoas, obrigado por vocês existirem. Valeu cada telefonema, carta, e-mail, scrap, mimo, seria hipocrisia dizer que não ligo pra essas coisas, eu gosto sim de ser lembrado no aniversário, de ouvir o parabéns das pessoas esperadas, das que surpreendem, enfim, valeu por se mostrarem presentes na minha vida. É por causa de vocês que meu mundo é esse lugar tão bem freqüentado.

ouvindo Neil Young – Heart Of Gold

quem avisa, amigo é

quando o iTunes vier todo prestativo pedindo pra organizar suas pastas de mp3, conselho de amigo: não permita!

ouvindo Resgate – Em Todo Lugar

saturday random ten

Negócio agora é carregar todos os seus mp3 numa playlist, ligar o shuffle e escrever sobre as 10 primeiras músicas que tocarem.
Diga o que significam pra você, porquê você gosta (ou desgosta), alguma lembrança, alguma estória relacionada, et cetera. Não precisa bancar o crítico de música, manda o que vier na cabeça. O interessante é escrever sobre e não apenas publicar a lista, combinado? Então vamo nóis:

01 :: Placebo – Every You Every Me
Placebo faz parte do conjunto de bandas idolatradas por meio mundo, mas que pra mim não fede nem cheira. Não me emociona. Foi até coincidência sair uma das 3 que tenho, dentre as 3577 da playlist. Vai ter o show deles aqui, é. Talvez eu fique uma semana antes ouvindo pra aprender algumas. Talvez não.

02 :: The Shins – Young Pilgrims
Shins já é o contrário. Conheço bem pouco mas gosto o bastante pra ter ficado com invejinha de quem viu show deles no Japão. Essa música é bem o meu estilo atual: um dedilhar forte no violão e um vocal sem firulas.

03 :: Johnny Cash with Neil Young – The Little Drummer Boy
É Johnny Cash mais Neil Young, o que querem que eu diga? O bateristazinho é a música tradicional natalina mais bonita em língua inglesa. Vou gravar um cd só de versões dessa música qualquer dia.

04 :: Stephen Malkmus and The Jicks – 1% of One
Esse cara me lembra que a música não tem que carregar o peso do mundo pra ter qualidade. Antes fazer música boba do que forçar um discurso político – ou uma DR mesmo, como essas bandinhas emo fazem – e ficar com a profundidade de um pires. 1% of one é boa pra deitar de barriga pra cima no sofá, enquanto cai uma chuvinha. Músicas com mais de 5 minutos e trechos instrumentais longos, em geral, servem pra isso e missão cumprida.

05 :: Outfield – Your Love (acoustic version)
… vou passar essa, certo?

06 :: Gorky’s Zygotic Mynci – How I long
Eu gosto do Gorky’s! Você gosta do Gorky’s? Gostamos do Gorky’s então. Conheci essa banda lá na Velvet, numa das tardes em que eu escapolia do trabalho na CDL. De lembranças só me vêm a curiosidade que me deu em ver aquele encarte com um buraco redondo no meio e as faixas de pedestres da Afonso Pena, que eu cruzava jurando que tava em Abbey Road. How I Long é lentinha, não é das preferidas. Indicado pra ouvir em casa de praia à tardinha, balançando devagar numa rede.

07 :: Chico Buarque – Injuriado
Esse sambinha de Chico me transporta a uma fase da minha vida em que me meti a ser tocador de atabaque. A gente ia beber, aí fulano tinha um violão, beltrano tinha um pandeiro e meu ermão tinha aquele atabaque com o escudo do Treze. Meus polegares nunca mais foram os mesmos.

08 :: The Beatles – I Call Your Name
O mais legal dessa música dos bitôus é que Ringo fica batendo num caneco de alumínio (ou amplificaram o metrônomo?) num ritmo tosco, e é muito alta a zoada do caneco, podia ser a letra de Imagine que a atenção da pessoa se voltaria toda para este barulhinho. Muito pitoresco, pode conferir, tá lá no Past Masters 2. E John faz “Aaauh” antes do solo.

09 :: Wonkavision – O Plano Mudou
Não sei onde nem com quem eu aprendi a ouvir os Wonkas, mas tinha aquele emprego que eu odiava, e era providencial ouvir O Plano Mudou assim que acordava, durante o banho. Eu gosto dessa combinação de melodia ensolarada com letra cínico-suicida. Por que uma banda dessa não faz sucesso fora do circuito alternativo? Não entendo.

10 :: The Magnetic Fields – I Don’t Believe in the Sun
Foi carol 4 que me viciou nos Campos Magnéticos. Agora eu tenho todas as 69 canções de amor, o cd triplo, idéia que o frontman Stephin Merritt teve enquanto estava em um elegante piano bar gay no centro de Manhattan. I Don’t Believe In The Sun é uma música deprê. Não gosto dela. O refrão – I don’t believe in the sun/How could it shine down on everyone/and never shine on me – junto com o piano e a voz cavernosa me lembra um Nick Cave gay. Carol, tu me faz gostar de compositores gays, já notasse isso? pfff ;]

ouvindo… tá, ouvindo a do outfield

Aniversário III

José Luís, meu grande avô Luís.

O sorriso franco do meu avô Luís.
Os dedos grossos de operário, o cabelo e o bigode que ele vive pintando. O rádio de pilha, o boné, o chá de boldo forte e muito doce às 5 da manhã. Os fuscas, os cestos de frutas no bagageiro da moto, as sandálias de couro do meu vô Luís. As monarks barraforte do meu vô Luís. A oficina mecânica, o cheiro de rapé. A teimosia cômica, a alma de comunicador, a simpatia. As discussões quase infantis com a minha vó.
Ler quadrinhos pros netos. Ele que sempre quis fazer faculdade, mas teve infância pobre. Todo ternura, talvez por isso eu pense em ser avô, chapéu xadrez e cadeira de balanço. O gosto por música, que devo todo a ele. A Requinta que tocava após o jantar. O orgulho que o meu avô sente de nós. E o que sentimos de tê-lo conosco. O abraço na virada do ano 2000, quando ele achava que o mundo ia acabar.
A temperança, a sobriedade. A pessoa fantástica, das mais incríveis que compõem minha vida. As histórias mais fantasiosas que as de Peixe Grande, bem capaz de terem acontecido, tamanha a confiança que ele demonstra. Os sustos, até, que nos deu com as cirurgias cardíacas. Todas as três muito delicadas, das quais escapou. As conversas que inventa pra justificar aquele doce que foi flagrado comendo escondido, indo contra a dieta. O sólido domínio de todas as ciências e tecnologias, corrigindo médicos, discutindo com padres, dando dicas de vôo aos moços da asa delta.
- “50 anos depois nasceu você, meu primeiro neto”, ele faz questão de dizer sempre.

Esse é o meu avô Luís. Uma figura adorável.
Meu Zé Luís. Vida eterna para ele.

queria ouvir Royal Cinema, de Tonheca Dantas, que ele executa com maestria. Não deve ter mp3 disso.

orkut for dummies

Aquela filosofia de que pra viver bem a pessoa tem que plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro deve estar muito enraizada no inconsciente coletivo. Pelo menos no que diz respeito a filhos e livros. Mas não é de filhos que eu quero falar, deixem eles quietinhos lá com os meus amigos de infância. O assunto é livro. Olha só a pérola que eu achei lá na Siciliano.

“Além de mostrar como usar a ferramenta, o livro dá dicas fundamentais de como se comunicar através de mensagens, scraps e comunidades sem causar mal-entendidos e desentendimentos. Há também um capítulo todo dedicado a comportamento e relacionamentos, trazendo uma auto-ajuda divertida para livrar você das maiores saias-justas! – Como lidar com ex-namorados que surgem no Orkut? – Achou colegas do primário? E agora? – O que fazer se aquele chato o adicionar como amigo? – Como funciona o “karma”? – E os constrangimentos com o chefe, se ele olhar seu perfil? Tudo isso numa linguagem descontraída e bem-humorada, para que se aproveite tudo que o Orkut pode proporcionar a seus usuários sem muita tensão e stress, claro.”

Vamos plantar mais árvores, né? Algarobas, pessegueiras.

p.s.: Se cuidem, pois o preenchimento dos campos mais intrusivos não serve mais só pra arranjar casamento. Os headhunters já estão analisando perfis de Orkut pra seleção de emprego. Vão ver as suas comunidades, fugutear nos seus scraps. Fudeu.

ouvindo Frank Jorge – Concurso Literário

adeus

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

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ouvindo Chico a vida toda

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