Pure Bug Beauty

May I be excused? My brain is full.

Arquivo para Novembro, 2003

Cultura da violência

Sobre isso, leiam a coluna do Hélio Schwartsman, da Folha.

ouvindo Pearl Jam – Do The Evolution

ars gratia artis

“Canta que é no canto que eu vou chegar. Canta o teu encanto que é pra me encantar. Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você. Que explique a minha paz, tristeza nunca Mais.
Mais vale o meu pranto que este canto em solidão. Nesta espera o mundo gira em linhas tortas. Abre essa janela, a Primavera quer entrar pra fazer da nossa voz uma só nota.”

Eu acho que seria feliz trabalhando com algum tipo de arte.
Nã se precisa ter respostas pra tudo, é só criar e pronto.
“só”. Mas olha… como se ser criativo fosse fácil, né? Como se fosse uma coisa “aprendível”.
Seria uma vida bem menos urgente.

Se bem que essa pintura aí­ foi feita numa cadeira, que o pintor quebrou por não ter mais onde pintar.
Mas com esse tipo de urgência eu sei lidar.

Quando eu era moleque eu sabia desenhar, mas aí­ fui esquecendo.
Agora meu contrabaixo eu inda compro um dia, um dia.

ouvindo Love Story por Henry Mancini

Minhas passagens pelo cerrado – parte II

Na segunda feira eu fui àquela entrevista de que lhes falei. Foi um tanto rápida, bem ao estilo Hollywood: “don’t call us, we’ll call you”.
E assim findou-se, que hoje me confirmaram.
Mas como ainda existia a possibilidade d’eu voltar lá na semana que vem, resolvi vir pra Natal de bumba mesmo, que dinheiro não nasce em árvores.

Os ônibus são velhos compadres de minha vida, não tenho problemas com eles, mas nunca tinha feito uma viagem tão comprida. A previsão era de 40 horas de ônibus, pela viação Planalto. *Minha coluna*. Mas bora, que primeiro se come o fel pra depois comer o mel.

Saí de lá às dez da noite na segunda-feira e meus amigos me acompanharam até a rodoferroviária – que, em Brasília, é como chamam a rodoviária, mesmo sem ter ferrovia no local.
Ficaram me zoando, agourando a viagem, dizendo que o ônibus ia quebrar, que ia sentar um viado do meu lado, que iam vomitar no meu pé, enfim. Brincadeiras saudáveis do universo masculino.
E nisso o ônibus chega. Frustração. Era uma Tereza Batista, minha nossa, como djabu aquela lata ia agüentar o rojão da viagem? Olhaí as pragas dos meus “amigos” começando a aparecer. E não parou por aí. Os passageiros começaram a subir e, depois de um tempo, desce um senhor gritando que o banheiro tava fedendo e que não viaja e que é um absurdo, um desrespeito.
Meus amigos fizeram cara de culpa. Lá vai o fiscal, checa os banheiros e desce dizendo que num tem nada a feder. Então, me despeço, faço o pelo sinal e subo no bumba. A verdade é que não tinha nada fedendo não, devia ser o bigode do cara, como sugeriram as pessoas :)

E a configuração do ônibus começou a seguinte: nas poltronas à minha frente, um casal de mineirinhos com um bebê (sempre os bebês). Ao lado, ia um goiano conversador que só, mais um velhinho mineiro, igualmente conversador. E na poltrona de trás, um galego sei lá de onde, acho que tava voltando pra Paraíba, puto com Brasília, por não ter arranjado trabalho por lá.
Modos que o galego era cheio de nove horas, tinha uma agonia e não gostava do ar-condicionado e abria as janelas (sim, as janelas eram abríveis, pra vocês verem a qualidade do ônibus). O povo caía em cima, e feche a janela se não o ar não gela e lá vai. Quando o motorista parava e vinha com sermão, o galego fechava a janela e prometia se comportar. Mal começava a rodar, o galego já reclamava, que ia morrer doente e que não tinha as condições e escancarava a porra da janela de novo.
Aí de noite, dormir é bom, mas quem disse que dava? Primeiro que eu sou ruim de dormir em ônibus, e o velho mineiro mais o goiano, conversavam até dar uma dor. De manhã, de tarde, de madrugada, falando de política, de futebol, do cotidiano, da muléstia. O mineiro era caminhoneiro, sempre tinha uma estória pra contar. Quando começava a falar, era sempre interrompido pelo goiano, que dizia com um sotaque enjoado “Éééé mermé???”, que era quando o mineiro respondia, com um sotaque ainda mais enjoado “Ééééééé!!!”. E esse diálogo aí se repetiu ziguilhõõõões de vezes, eu tava incomodado já, meus neurônios até conseguiam prever quando ia ter um “Éééé mermé?” e um “Ééééééé!”.

Sim, meu sotaque deve ser enjoado também, que sou um paraíba, mas enfim, deixa eu dar prosseguimento.

O casal de mineirinhos falava igual, escritozinho ao Nérso da Capitinga. E metiam comida no pobre do bebê, bem gordinho o bebê já tava, e tome comida, chega o pobre tava enfarado. E mais atrás ia um pastor evangélico, que eu esqueci de falar. O cara começou entoando uns cânticos, o povo aplaudiu de zoeira e foi só o que ele quis. De seis da manhã e de seis da noite havia um culto no ônibus. Quanto a isso, no problems, até dou valor, mas o cara pregava com a velocidade de narrador de futebol em rádio. E cantava destoado que nem presta. Sei que o povo bateu tanta palma e assobiou tanto que o cara foi se empolgando e não tinha mais parada de rodoviária que ele não descesse do ônibus pra procurar um cego ou um aleijado módi levar-lhe a Palavra.

Mas vou parar aqui que quem já ta se empolgando sou eu.
Se eu tiver saco, depois escrevo uma parte III, se não, acaba comigo chegando em Natal na quarta de meio-dia, sem ter dormido um pingo e com dor de cabeça.
E precisando urgentemente de um banho.

ouvindo Bob Marley – Babylon By Bus

Minhas passagens pelo cerrado – parte I

Aviso: isso aqui vai ser um diarinho, sim – porque eu quero.

Viagem tranqüila, chegada mais ainda.
Minhas primeiras impressões sobre Brasília foram boas. A noite demora a cair (não só pelo horário de verão) 8 da noite tem cara de 5:30 da tarde aqui. Outra coisa que fui logo notando, Niemayer (sei lá como se escreve) não pensou nos pedestres de meu Deus quando projetou aquilo lá. A cidade tem pouquíssimas calçadas. Em lugar disso, canteiros gramados – ou seja, plaquinhas de “não pise na grama” nunca existiram ou foram abolidas.
E as pessoas dali se cuidam, olha, pode sair de casa a qualquer hora que você vê gente fazendo Cooper.
Outra coisa curiosa – e que deve ser irritante com o passar do tempo – a organização daquela cidade. Lá tudo é meticulosamente bem projetado. Tem quadras só com hotéis (outras com motéis também, que eu vi), tem as quadras que intercalam escolas e igrejas (estrategicamente?), quadras só com prédios de 4 andares, outras só com prédios de 6 andares, iguaizinhos, os prédios. As ruas, todas iguaizinhas, com nomes ilegíveis, como QRSW 4, Bloco A-2 e coisa e tal. Pra se perder ali é um pulo.
No sábado, fui fazer o passeio de turista. Conheci tudo que é monumento, palácio, ministério, o escambau. Pena que o tapado aqui não levou uma câmera, pra bancar o turista ainda melhor.
Agora saibam amiguinhos, ali tudo custa os olhos da cara mais um braço e uma perna. Cheguei a tomar um suco de laranja por R$ 2,50. E nem continha ouro em pó nem nada, só laranja e água.

No domingo, fui fazer minha prova. Foi boa, muito fácil, muito mal-elaborada, enfim. Vou ficar aqui falando da prova não, deixar pra falar só quando sair a classificação que é mais melhor de bom.
Ah, vejam que pitoresco: ao lado do lugar que eu fiz a prova funcionava (imagino eu) um parque de diversões, porque de instante em instante se ouvia gritos montanharussescos de pessoas apavoradas. E se ouvia também trilhas sonoras clássicas, em um volume consideravelmente alto. Coisas como a música do Ayrton Senna, aquela outra de 2001: uma odisséia no espaço, até Chariots of Fire pra dar um toque olímpico à nossa batalha com a prova, penso eu.

Passou-se. Domingo à noite fui tomar sorvete com meu amigo e a noiva dele – e que jogue a primeira pedra quem nunca pagou de vela, vendedor de cocada, corta-jaca ou do que quer que vocês chamem essa situação, hã, prosaica. Vou falar aqui de uma coisa que não interessa a nenhum de vocês nem a mim, que estou falando. Mas vou falar, esse meu amigo depois que começou a namorar essa moça está irreconhecível. Fashion é a palavra. Quem te viu quem te vê mesmo. Era todo desleixado e agora vai trabalhar todo de preto, sapatinho do bico quadrado amarelo-dourado, cinto da mesma cor, gravatinha amarela com prendedor dourado. Ta usando Renew da Avon e tudo. Benza Deus, como as dicas de fineza de uma mulher podem levar um pobre homem ao ridí..ops.. er.. ao luxo, ao charme e ao bom gosto, ugh :P

Ah, pra constar: R$ 6,90 três bolas normais de sorvete, sem acompanhar pedrinhas de rubi nem nada.

Voltei de busão, que nem é tempo de esbanjar. Foi uma viagem besta, 39 horas só.
Mas isso é um outro post, uma aventura à parte (tem crase isso?).
Bom, eu sei que a questão de crase da prova eu acertei. Rhá.

ouvindo Elis – Como nossos pais

a-ventura

Por ventura, eu amanhã estarei indo visitar o distrito federal.
“Visitar”, na verdade, que é pra fazer um concurso pros Correios, em Brasília.
Não, né pra carteiro não, mas se fosse e eu passasse, as cartas de vocês seriam entregues com urgências VIPs.
*para os amigos, tudo. para os outros, a lei*.
Minha professora de Ciências do Ambiente, todinha.

Não sei ainda em que dia volto, mas volto, tenho que voltar.

Alguma encomenda pra Lula? Não? então inté a volta, amiguinhos!

ouvindo Três apitos, de Noel Rosa, por Tom Jobim

Eu aprendo violão, um dia

Intro: G D Am G D Am

Em D C
Abro os olhos sob o mesmo teto, todo dia
G D Am

Tudo outra vez
Em D
Acordo, um tapa no relógio
C G D Am
A mente tá vazia, são dez pra seis
C D
Hoje a morte do meu ego tá fazendo aniversário
C
Será que eu vou chegar

D
Chegar ao fim de mais um calendário
G D Am G D C
Eu não sei! Eu não sei…..eu não sei…
G D Am G D Am
É tudo sempre igual

Em D C G D Am
Disseram que o Teu amor é novo a cada dia, eu pensei
Em D

Quero ouvir a Tua voz
C G D Am
Falar o que eu queria, são dez pra seis
C D
Se é pra Te servir e então matar aquela velha sede
C D
Se é pra Te seguir e nunca mais cair na mesma rede
G D C G D C
Eu vou! Eu vou….eu vou…

G D Am G D Am
Te seguir…

ouvindo Resgate – 5:50 AM (acústico)

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