Pure Bug Beauty

May I be excused? My brain is full.

Arquivo para Outubro, 2002

E pelo meio do caminho sempre tinha umas pedras.
É bom que não nos esqueçamos disso.

Descobrir-se.
Defrontar-se com o mais bruto e selvagem eu.
Enveredar-se por floresta virgem, mata fechada e hostil, infestada de pequenos insetos kamikazes e anfíbios horrendos detentores da mais desejada sabedoria.
Vestir-se com peles e tecidos de lã grossa para fugir do frio e incendiário contato inicial com o eu ariano. O eu puro, sem gelo. O eu interior. O eu envelhecido e fermentado em barris de cedro.
É sempre uma experiência traumática dar-se conta da necessidade caótica de “convencer-se a si mesmo” do que é ser um “si mesmo”.

Esta é a fase primeira.
É aterrorizante a constatação de ter vivido parte da vida, um segundo que seja, sem ter estado em conformidade com o só agora descoberto eu.
Se você é músico, provavelmente irá compôr as baladas mais tristes e mais sinceras que já saíram de sua mente. Vai embeber um chumaço de algodão com Blues lamurientos e enfiar com força nas narinas. Vai ver o mundo passar sob a ótica de um presidiário, preso na própria existência _ou não existência.
Se você escreve, provavelmente vai mergulhar de cabeça no mundo asqueroso das palavras, em busca das mais indomadas, das mais arredias possíveis.
Isso porque você sente a necessidade de um choque. Você quer uma dor intensa e aguda e imensa e esclarecedora esperando que ela te dê o maravilhoso espelho mágico do auto-conhecimento.
Você também rasgaria o braço com um objeto cortante pra provar a todos _e sobretudo a si mesmo_ que essa guerra interna que você trava é 4REAL.
Então você faz seu espelho e orgulha-se de ter tido a coragem de, por cima de pau e de pedra, tê-lo construído à unha. E ele têm a sua cara. Hahahahahaha!

Esta é a fase segunda.
Tu não vês que é em vão? Eis que estás traindo a teu eu novamente e _agora como agravante_ tendo em mãos o espelho que construísse para te orientar. É um período em que tens medo da própria sombra. As pessoas te assustam. Você tem calafrios quando alguém tem o descaso de te olhar nos olhos. M.e.d.o. Hua-hua-hua-hua-huááá! Mas tens o teu Segunda-pele_calo-casca-cápsula_protetora.
De cima de tua arca, desafias a 10.000 gladiadores de almas.
O primeiro, tu esbofeteias. O segundo te anula. O terceiro te atordoa e o quarto te golpeia.
E tu choras. Não suportas mais a porcaria da máscara e tu choras por qualquer motivo. Atiras teu coração aos leões e maldizes ter
desafiado o imaculado sentido de ser.
Então, de repente, como quem não quer nada _e quer_, alguém apanha do chão o livro que tu tentaste escrever; sopra a poeira e te mostra um novo livro, com novas letras, por um novo ângulo de visão. Te mostra mais do mesmo. Te esguicha um pouco do teu perfume já sem cheiro. Te abre as cartas que recebestes e nunca tivesses coragem de ler; e os presentes que nunca tiveste coragem de abrir. E este alguém te quebra um violão na cabeça e te dá um pedaço dele como lembrança. E te empresta um Sgt. Pepper’s.
E este álguem _o que é mais estranho_ está em você mesmo.

Esta é a fase terceira.
Quando “o bem vence o mal e espanta o temporal. Azul-Amarelo, tudo é muito belo”.
Quando as coisas apenas são.
Quando nada precisa ser urgente e desesperadamente explicado como forma de sobrevivência.
Quando você se vê pelos cacos do espelho quebrado e percebe cada pedacinho de si. Cada um deles pulsando. E em cada um há um coração, um par de pulmões, litros e litros de sangue quente que corre e corre e corre e corre dentro de tubinhos que interligam cada pequeno e insignificante caquinho do teu espelho.
Quando você se ergue pela força das próprias pernas de quem te ama. E aí você não tem mais medo de cair. Você tem a serenidade de ser e a calma de saber ser.
E você, naturalmente, acaba encontrando seu lugar.
E se não encontra, você põe o álbum branco pra tocar e fica olhando aquele beijo marcado na contracapa com aquele pulsante I Love You.
E seu único medo é de não mais chorar.

Dizem que há uma quarta dimensão.
Dizem que isso é coisa só pra chupa-cabra, Et de Varginha.
Vai ver o cara do 4REAL finalmente a encontrou.

Bah…

“Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly”

Who really cares? :Þ

Home sweet home

Parte II – “Sobrinhos, Eleições, Bis com pipoca, etc
Estrelando: Erick Rayne, como o próprio. Igor Brito, como meu sobrinho. Rodolfo, Rodrigo e Ravena, como os três primos danados.

Ter um sobrinho bebê é muito bom demais da conta, sô. Ele já fica em pé sozinho… meio cambaleante, mas fica… :) e ele pega no meu olho, depois dá umas tapinhas na minha cabeça… bichinho… e minha mãe diz que ele estranha as pessoas que nao convivem muito com ele, menos EU. Esse meu afilhado é um rapaz de personalidade forte.
Eu fui votar bem cedinho… Lula lá e nulo cá. Não me venham com papo de cidadania porque não dá pra escolher entre Cunha Lima e Roberto Paulino. Aqui na Paraíba tem muito isso do governador puxar a sardinha descaradamente pra sua região e pros seus eleitores… não se governa pelo estado inteiro. E todo mundo escolhe um dos lados da mesma porra de moeda e fica aquela coisa de paixão pelo candidato. Gente vestida de vermelho brigando com gente vestida de verde. E se você parar pra olhar os dois candidatos são iguaizinhos. Iguaizinhos. Dá não…
E quando eu cheguei, os três sobrinhos do Pato Donald – Rodolfo, Rodrigo e Ravena – estavam lá em casa.
Foi fextão com eles.. comendo pipoca com chocolate Bis. Até agora estou com um bafo de Bis. E meu irmão disse que o cacau do Bis é transgênico. Bom, eu moro sozinho há dois anos… comendo coisas que tem, no máximo, três passos no modo de preparo (tipo, adicione água, espere ferver e cozinhe em fogo baixo por X minutos). Vou lá ligar pra trangênicos… eu quero é mais Bis.
Nháá… estou escrevendo igual ao blog do IG lá… mas… é a fase alegrinha… =) Ihhh!!! Fogos!!! Cornetinhas!!! Bolo de cenoura com cobertura de chocolate!!!
Sim… e eu abo bia babâe!
:* pra dona Guia.

Home sweet home

Parte I – “Off-Road Stories
Estrelando: Mr. Rayne, como o aprendiz. Mr. Richards, como o tutor (e irmão mais novo do aprendiz).

Então agora que eu já tenho toda a teoria do automobilismo (sim, eu apresento uma certa empolgação quanto a isso) vamos à prática.
A dificuldade inicial era arrancar meu irmão do IRC pra desempenhar a função de co-piloto. Suei, mas consegui.
A gente foi pra Conab, onde, segundo ele “não tem movimento de carros e é lugar bom pra aprender”.
Pois. Só que lá era muito chato. Circuito oval. eu tentava fazer algo que realmente desafiasse minha perícia de Schumacher, mas não havia nenhum desafio real naquela região. Fomos pro CSU pra fazer, tipo um level 2. Tipo passar de fase no Alex Kidd, sabe… então. Lá no CSU tinha uns buracos na pista, tinha umas crianças e uns cachorros atravessando a rua, tinha umas curvas fechadas e tal. Bom.. tirei tudo de letra… tá.. tudo bem, admito, estanquei umas 6, 7 vezes.
Level 3. Quero voltar pra casa guiando. Hã? É.. eu vou voltar guiando.
Meu irmão é gente fina que só e, pelo bem dos pedestres inocentes, sugeriu um trajeto alternativo, pela Beleza dos Campos – uma rua bem pitoresca daqui.
E lá na Beleza já sabe, é beco – ladeira, beco – ladeira. E ainda por cima, teve uma hora que tinha que pegar a contra mão pra poder entrar numa rua lá – não façam isso em casa crianças. Eu me concentro, revejo os passos: Reduzir, parar, primeira, sinal, e fazer a curva. Tudo isso com um pouco de rapidez, afinal é contramão, e muita atenção, afinal a rua que eu ia entrar era estreita e tinha uma barraca de pamonha na esquina. E lá vai, eu saí mais ligeiro do que devia, tirando um fino do pamonheiro, lá vinha um caminhão saindo por onde eu ia entrar… meu irmão: “Vixe Maria, pare! Freie! Eita! Ó o caminhão!!! Espere o caminh.. eita!!! Façissonãohômi!!! Lascou! Vi a morte agora!”.
Eu fiz uma manobra radical e passei em zigue-zague entre o caminhão desgovernado e o enorme banco de pamonha. Ui! vrummm vrummmm!
Meu irmão ficou branco.. hehe.. deu a porra comigo.. e eu aceitei, porque sei que fui imprudente.
E além dos bêbados, Deus protege os aprendizes também… porque teve condições não…

:))))

Tá O caminhão não estava desgovernado. Vinha a uns 30 km/h só. E a barraca de pamonha era bem xoxinha. Mas isso não desmerece a minha manobra radical. Humpf! :/

Centenário de nascimento de Drummond.
O cara que me fez gostar mais de literatura.

As Sem-Razões do Amor

Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

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