Pure Bug Beauty

May I be excused? My brain is full.

Arquivo para Abril, 2002

Setembro de 1987. Manhã do dia 7.
Giu ainda dormia. Seu primo Lucas dormia no mesmo quarto, na cama ao lado. De repente, a avó dos dois entra no quarto e abraça Lucas, aos prantos:

- Meu filho… seu pai sofreu um acidente!

Nesse instante Giu sentiu um nó amargo lhe sufocar e enfiou o rosto no travesseiro, chorando baixo.
A voz trêmula e o estado de pânico da avó de Giu já diziam tudo.
Lucas, vendo tudo apavorado e ainda imóvel, só então entendera o que aquela manhã havia lhe tirado.

07/09/1997. Exatos dez anos depois.
Giu acorda decidido. Aquela era uma manhã especial. E linda também.
O céu estava maravilhoso, apesar do clima frio que fazia na região serrana onde ele morava.
Logo mais à tarde haveria a tradicional parada do dia da independência. Banda marcial. Bandeira hasteada pelo prefeito. Coral de estudantes primários cantando o hino nacional. Essas coisas que D. Pedro I não podia prever quando subiu naquele cavalo pra posar de bom moço.

Três da tarde. As ruas estavam terrívelmente cheias. Um cordão de isolamento separava o povão entre as calçadas e o meio da rua por onde passava a parada.
Gil tentava chegar do outro lado da rua, indo no sentido oposto ao das pessoas que corriam pra ver a filarmônica da capital se apresentando no coreto. Pra ele, nada ali tinha muita graça. Ele tinha um ar sério, meio nervoso. Andando em passos largos, às vezes esbarrando em alguém. Só havia uma imagem em sua mente. E ele sabia exatamente o que fazer. E tinha pressa.
De longe, seus amigos o avistaram e o chamaram pra se juntar à turma, mas ele recusou solenemente, inventando uma desculpa qualquer.

Continuou andando no meio da multidão, olhando pro chão, quando reconheceu um par de tênis um tanto peculiar. Sandra?! Não… Andréa. Mas onde estava Andréa estava Sandra. Felicidade. Plena e infinita. Como uma borbulhante cachoeira no meio de um bosque.

- Oi Sandra!!!
- Ahn… Oi Giu… tudo bem?

O sol deixava os olhos de Sandra ainda mais lindos. Junto com ela, a Andréa e a Regina conversavam bastante empolgadas, o que deixava Giu um pouco de lado, alheio ao assunto.
Decidiram dar a volta pelo outro lado da rua.

- Vem também, Giu.

Giu notava que Sandra estava estranha, mas não queria se quer pensar em concluir alguma coisa sobre isso. Não fazia parte de seus planos.
Para conseguir se mover na multidão, andavam em fila indiana. Foi quando alguém cutucou o ombro de Giu.

- Moço, que horas são?
- Ahn… são… quatro e meia.

“Maldito!”, pensava Giu enquanto andava mais rápido pra alcançar as três novamente. Se ele alcançou? Ah… lógico que não.
Nem as ruas de Tóquio estavam tão movimentadas naquela tarde.
A saída seria voltar para a praça, de onde poderia, do alto, ter uma visão melhor da rua. Lá de cima, cada rosto diferente era um só. E cada sorriso parecia rir dele.

Avistou os amigos. Eles pareciam se divertir.
Mas ele era Giu. E não havia como Giu se divertir num 7 de setembro.
Ao seu lado, não muito distante, porém sem percebê-lo, estavam a Andréa e a Regina. E também a Sandra. Com o César.
Um amigo já lhe falara do César. Falara sobre como Giu e César tinham o mesmo bom gosto.
E estavam lá. Sandra e César. Se entendendo. Rindo.
Giu não queria aceitar a dura verdade.
E ficou por longe, tentando não olhar pros dois. Inocentemente esperando a hora de falar tudo o que havia decorado.

E mais uma vez sentiu o nó amargo lhe abafar os sentidos.

5:00. 5:30. O tempo se arrastava. Maldito relógio. O ponteiro dos segundos parecia uma guilhotina. 6:00 – que masoquista inconsciente era aquele rapaz.
6:30. As ruas já não estavam tão cheias. Sandra despediu-se de César e seguiu pela calçada à caminho de casa.
Numa atitude desesperada, Giu corre ao seu encontro.

- Sandra. Eu preciso falar contigo.
- Giu… eu… estou um pouco atrasada agora.
- Três minutos, Sandra. Só te peço três minutos.
- Desculpe Giu. Agora não vai dar. Eu já devia estar em casa.
- Pô… mas… você virá na festa mais tarde? Eu preciso conversar contigo hoje.
- Pra festa? Não… mas… eu te encontro na praça às 7:00… não… 7:30, ok? Agora eu tenho que ir… tchau…
- 7:30 então… tchau…

Às 7:20 Giu chega no local combinado.
Procura um lugar legal pra sentar. Olha no relógio. 7:25.
Muita gente começa a chegar pra festa. 7:30. A festa começa. Pessoas felizes dançando e bebendo. 8:00. A animação é geral naquela parte do mundo. 8:30. Dane-se o mundo. 9:00. Cai a ficha. 9:30. Disfarçando os olhos cheios de lágrimas, Giu levanta e vai pra casa.

it should be continued, but it will not

cruzada (Tavinho Moura / Márcio Borges)

não sei andar sozinho por essas ruas
sei do perigo que nos rodeia pelos caminhos
não há sinal de sol
mas tudo me acalma no seu olhar

não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
não há sinal de cais
mas tudo me acalma no seu olhar

você parece comigo
nenhum senhor me acompanha
você também se dá um beijo dá abrigo

flor nas janelas da casa
olho no seu inimigo
você também se dá um beijo dá abrigo
se dá um riso dá um tiro

não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
não há sinal de cais
mas tudo me acalma no seu olhar

A…ne.cro.fi.lia…da…ar.te

Depois que o Layne Staley morreu todo mundo tá afirmando que o Alice In Chains era a banda que mais gostava (e que realmente prestava) no assim chamado “grunge”.
A voz do cara era muito técnica mesmo, mas a minha banda preferida do assim chamado grunge sempre foi o Pearl Jam. E a segunda era o Screaming Trees.

he he he.

mentira.


Alguém aí já se sentiu assim?

Mas de fato, o que acontecia com Giu?
Ele não sabia que era assim… sentia-se estranhamente alegre…
Aquela força que o fazia encher os pulmões de ar com tanta intensidade, por vezes, também fazia brotar um receio enorme em sua frente.
E Giu paralisava. Não sabia mais respirar compassadamente. As palavras se desintegravam por entre seus dentes.
Não sabia pra onde olhar nem a quem escutar.
MEDO. E se…? E se…? E…
Aquela força descomunal que um dia iria fazê-lo chorar ainda era só um receio.
E a chuva, grande inimiga dos corações perfeitos, lavou a calçada onde eles estiveram…
… mas não era possível lavar o medo que Giu tinha de gritar.

- Oooi Giu! :)
- Oi… Sandra…
- Tem alguém aí do seu lado?
- Não…
- Você sumiu hein, garoto?
.
.
.
HE IS OFF AGAIN
.
.
.
- Giu, você vai acabar perdendo a Sandra…
- Er… você acha mesmo…?
- Acho.

Giu ainda não percebia o oceano onde estava imerso.
* E o Giu, panaca, não soube pra onde nadar. Era tudo tão simples, velho Giu… *

Daqui a duas semanas é 7 de Setembro.
A tristeza infinita marcada numa folhinha de calendário.

to be continued 4ever

Quarenta e cinco porcento faz porque todo mundo faz.
Quarenta e cinco porcento faz porque ninguém faz.
Dez porcento vive.

por osmose de bricabraque.

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